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2020, o ano em que o Brasil mostrou seu potencial no campo das doações

Nunca se doou tanto no país. Mas isso não diminuiu os desafios das organizações sociais. Veja como se preparar e o que esperar de 2021.


A pandemia de Covid-19 está demandando adaptações enormes de todo mundo, e com o terceiro setor não é diferente. De uma hora para a outra, tanto a execução das atividades quanto o processo de captação de recursos tiveram que migrar para o mundo digital.


Ao longo deste ano vimos, também, o Brasil dando um grande exemplo de solidariedade e colaboração. Ao mesmo tempo em que as organizações correram para socorrer os mais impactados pela pandemia, vimos as doações baterem recordes. O Monitor de Doações da ABCR contabilizou mais de R$ 6,4 bilhões destinados a ações de resposta à Covid-19. Outra boa surpresa foram as campanhas e lives de doações, que arrecadaram R$ 2,3 bilhões e R$ 17,5 milhões, respectivamente. Apenas a live Fome de Música, dos irmãos Sandy e Junior, foi responsável por R$ 6,6 milhões.


Toda essa mobilização mostra que o brasileiro é, sim, um povo generoso, mas que ainda não doa de forma recorrente. A grande maioria das doações monitoradas pela ABCR, por exemplo, aconteceu durante os dois primeiros meses da pandemia. Depois da explosão inicial, as contribuições caíram enquanto os gastos dentro das instituições seguiram altos. Como transformar essa resposta emergencial em um hábito recorrente entre empresas e pessoas?


O terceiro setor na pós pandemia

O cenário na pós pandemia é desafiador: muitas organizações tiveram que interromper suas atividades de assistência social, fragilizando o atendimento aos mais vulneráveis justamente quando eles mais precisam. Somado a isso, vivemos uma desaceleração da economia mundial que, ao mesmo tempo, contribui para o aumento da demanda por assistência e coloca em risco o fluxo de doações.


No início de dezembro, uma pesquisa da Datafolha realizada em parceria com a Ambev mostrou que as principais dificuldades para a sobrevivência das ONGs são:

  • Falta de apoiadores financeiros (41%)

  • Doações de materiais e equipamentos (13%)

  • Voluntários para ajudarem a organização a se reerguer (11%)


É hora, portanto, de se preparar para enfrentar a tempestade surfando em três lições importantes que a pandemia nos trouxe.


1. Site, lojas virtuais, redes sociais, WhatsApp, QR Codes, CRM

A doação online já era uma tendência desde o ano passado, quando o percentual desse tipo de operação subiu de 16% para 23% (dados do Brasil Giving Report 2020). Agora, o uso dessas ferramentas se popularizou como nunca, multiplicando tanto as formas de se relacionar com doadores quanto os canais para captação de recursos. Pessoas de todas as gerações passaram a usar mais os meios digitais, tornando-os essenciais para qualquer organização. Aqui na seção Explore sempre trazemos informações para te ajudar nesse desafio.


2. Digitalização, mas com emoção e humanização

Essa receita, já amplamente praticada pelas empresas, vale também para as organizações sociais. Traga o storytelling para a sua comunicação digital e convide seus apoiadores e parceiros a fazerem parte do cotidiano de sua organização – mostre como o dinheiro é gasto e os benefícios gerados, crie relacionamentos e envolva o público de fato, em vez de simplesmente informá-los.


Apostar em uma comunicação mais próxima e transparente pode contribuir muito para a superação das principais barreiras à prática de doação no Brasil. Dados do Censo GIFE e Brasil Giving Report, organizados no documento de diretrizes Por um Brasil + Doador mostram que as pessoas em geral:

  • Não entendem o que as organizações sociais fazem

  • Não têm noção de causa nem do poder transformador da doação

  • Acham que quem doa não deve falar sobre isso


3. Profissionalização da gestão

Para Carlos Pignatari, gerente de Impacto Social na Ambev, uma forma de preparar as ONGs para os desafios do futuro é construindo um plano de ação consistente, com metas e objetivos bem definidos. Para isso, é importante ter uma gestão bem preparada. A Rede Filantropia oferece diversos cursos voltados para esse tema. Há, também, cada vez mais empresas querendo apoiar as organizações sociais oferecendo capacitações e mentorias. Veja dois exemplos:

  • Em parceria com a Phomenta, o Instituto Malwee está com inscrições abertas para seu programa de aceleração para ONGs. As inscrições vão até 8/02.

  • Em 2021, o Mercado Livre terá uma agenda de oficinas, webinars e outros conteúdos para apoiar a digitalização das estratégias de captação de recursos das ONGs. Fique de olho no Papo Digital.


Juntos. De mãos dadas, ou não

Aproveitamos este último editorial do ano para reforçar nosso compromisso com o fortalecimento das organizações sociais e a cultura de doação no Brasil. Mais do que nunca, a parceria entre os diversos setores da sociedade é fundamental para construirmos um país mais justo e melhor para todos. Seguimos juntos em 2021!


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